13 Junho, 2007

Quando TU nasceste, em MIM.


"Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe..."

("Pequeno Poema" de Sebastião da Gama)

Agora sou eu que olho os teus olhos com a ternura dos meus. Agora sou eu, Feliz por, um dia, Tu, teres querido que acontecêssemos. E AGRADEÇO. Também nesse dia, não houve nada de novo senão Tu, por Nós.

A tua Mãe haveria de gostar. Porque das Mães é o que se sabe ou pressupõe. Assim, no sorriso, o desejo de nos saberem Felizes.

27 Maio, 2007

Agora somos cinco

Quando por alguma razão a partir de agora se justifique necessário contabilizar os elementos cá de casa, somos cinco.

O quinto elemento chegou hoje. Aliás, fomos buscá-lo, que sozinho não teria tido condição de chegar a nós, os quatro que já se entendiam no espaço que agora partilhamos, os cinco.
Bom, fomos buscá-lo, passámos no veterinário para consulta e desparasitação interna e externa, e corte de unhas, e tratamento de unhas encravadas e antibiótico e tratamento de otites e tudo o mais que aguentou com esforço que houve pormenores dolorosos. Passámos no supermercado para comprar comidinha e areia para o caixote das necessidades fisiológicas. Chegados a casa, foi um tal de escovar pêlo depois de limpar com toalhetes, ao pêlo e a todo o corpo, limpar olhos com soro fisiológico, orelhas e ouvidos também com toalhetes… Tudo isto e muuuito mimo... Depois cama confortável, comidinha e sossego. O sossego e mimo de que há muito não se lembrava seguramente.

O quinto elemento, e por aparecer nesta ordem deu azo a que se lhe desse o nome de Mila, é uma gata persa chinchila já com alguns anos mas que, se bem me parece, só agora vai viver tempos de algum conforto. Ou pelo menos de há muito o não sentia.

Agora somos cinco, portanto.

Trazida que foi a gata, passaram a ser dois os “bichesgos de estimação” cá em casa.
Rei e senhor era o Tintim (Tico ou TT) na intimidade assumida em que se faz a convivência aqui. Mas, rei e senhor que era, impávido e sereno ficou com a chegada do que poderia representar um “problema” na sua cabecinha de cãozinho velho que quer é sossego, e gata chegada de novo não devia fazer parte dos seus planos.

Muito se cheiraram. Sentidos olhos nos olhos. Lambidelas, mais dela nele que, apesar de tudo, não estava disposto a muitas confianças de princípio. No entanto, estabelecidas que foram os primeiros contactos, assente ficou que há que partilhar donos e espaço e um ao outro que é o melhor jeito de mansamente viver que é o que os dois querem.
Sentimos nós que assim decidiram e descontraímos também que sã convivência é o que queremos, os cinco que agora somos.

*** No www.coresepixeis.blogspot.com há, além da história contada de forma diferente, mais e melhores fotos, que "quem sabe da tenda é o tendeiro" e eu sou só aprendiz de fotógrafa. Mas da paciência do meu fotógrafo que me ensina se faz em mim a evolução que lhe agradeço...

15 Abril, 2007

E por falar em Pai, o meu Pai, ocorreu-me deixar aqui também este "postal" que o nosso menino trouxe do ATL, precisamente no último dia do Pai. O que aqui diz é foi dito por ele à educadora que escreveu. Acontecem por vezes estes "passeios" depois de jantar, a dois. Coisa de Pai e Filho, e ele gosta. O meu contava histórias ao serão. O dele passeia e conversa, também no começo do serão.

O meu Pai

ainda não completamente recuperado de uma perna partida

quando do casamento da minha irmã mais velha

jogando às cartas com amigos
Não por mais que não seja... apetecer-me. Hoje, apeteceu-me trazer-te aqui. Não ontem ou anteontem. Hoje. Não que haja particular significado... Só o de todos os dias. Em todos os dias há o sentido do que de mais me/nos deixaste. Tudo aquilo de que somos feitos, ou o que em nós, de Ti, fomos construíndo. Tudo aquilo que as palavras não explicam...


06 Abril, 2007

Pão caseiro

Pela primeira vez amassado por minhas mãos(*) o pão que comemos.
Deito a farinha, a água morna junto com o sal e o fermento de padeiro que nela se desfizeram. Amassa-se muito bem, bate-se e mais se amassa até que a massa borbulha de bem amassada. Ajeita-se então no alguidar, faz-se uma cruz por cima e, tapada com um pano branco, deixa-se a levedar. Então, pronta fica para se tenderem os pães moldando-se-lhes “cintura” e outras formas. Assim vão a cozer em forno bem quente, aquecido a lenha que ardida em seu seio o deixa preparado.
O resultado é uma fornada de pães tostadinhos com que o olhar se enleva e o coração aquece, terminada que é a tarefa de conceber o alimento primeiro. Abre-se e a manteiga derrete-se-lhe dentro como que em acto de fazer amor. O Amor que é o milagre de de minhas mãos haverem saído tais pedaços de vida conseguida assim, pela primeira vez. Não única, que a ideia é que este milagre aconteça com a regularidade necessária que o nosso sustento exige.


(*) com a ajuda da Alice e da Gracinda, mulheres mais habituadas a esta tarefa. Agradeço a elas poder agora ter satisfeito o desejo de eu própria conseguir cumprir a produção do pão que, aqui em casa, consumimos.

(A sequência de fotografias foi preparada pelo meu Amor que se encantou com o que para ele representou um acontecimento. Acontecimento que vamos partilhar a partir de agora, porque queremos a nossa vida feita de sermos assim...)

15 Fevereiro, 2007

Em tuas mãos

Desencantada...
Desencontrada!...
Procuro, procuro-me!...

Encontro-me!...
Encontro-Te!... cumprida a viagem de circum-navegação no mar dos nossos sentidos.

(...)

Assim se me morrem as defesas...

Em tuas mãos...
no preciso momento em que emprenho de certezas.

Baixo armas no tapete da entrada...
entro dentro do teu corpo.
Deixo do lado de fora em mala fechada, selada...
todo e qualquer sentido de juízo...

- Este é o momento preciso!

Passaste a ser o meu jardim de girassóis,
lírios do campo e papoilas...

Faço o meu tempo cavalgar ao ritmo contrário aos dias em que registava desesperadamente o passar do tempo sem sentido

Refreio o passo!!!...

- Amo-te Sagradamente!
- Guardo religiosamente o teu sorriso.

(luz reserva, para os dias mais sombrios...)

Vivo agora o espaço intemporal em que o sol me sacia a pele e me devolve a luminosidade do coração.

Por tuas mãos...

Escrevo poemas nas linhas do teu corpo.
Declamo cada verso em cada uma das tuas veias.
São de palavras minhas as gotas de sangue de que te alimentas.

- NASCE EM MIM A LUZ DE QUE ÉS A SEMENTE!...

- E entrego-me, EM TUAS MÃOS.


07 Fevereiro, 2007

Tempo



O Tempo urge

O Tempo foge

O Tempo corre - escorre!...

Agarro o Tempo

Algemo o Tempo

Encarcero o Tempo - prendo-o!...

Ordeno, domino, comando o Tempo

Mercê do Tempo em que demoro

A ânsia de saber o Tempo

Tempo passado

De sabê-lo chegado

Agarro o Tempo

Manifesto

Testo

Atesto o Tempo!...

Pelas Tuas Mãos

Anunciado...

26 Janeiro, 2007


(Jardim Caldas da Rainha)
-Porque por aqui perto, muito perto, passaram a ser construídos os meus dias.